Ki-mbanda

 

Cultura mística de Angola

 

 

                          

 

 

Ki-mbanda  é uma das artes de vaticínio e cura desenvolvida pelos povos bantu, de Angola e Congo. O vaticínio é feito sempre mediante o chamamento dos espíritos dos antepassados. Transe, muxacato, jimbanba, são os sistemas mais conhecidos.

Os Espíritos que chegam a Ki-mbanda são espíritos dos Nganga ou Tatás, (sacerdotes das nações bantu), aqueles que quando encarnados na terra eram sacerdotes. A Ki-mbanda, chegou até aos nossos dias,  de geração em geração, por tradição oral.

A Ki-mbanda tem tendências para o sincretismo. Por isso passou por muitas transformações tanto no Congo,  em Angola e na diáspora bantu, e  é parte do sistema religioso tradicional  de Angola.

A ki-mbanda está presente em sete constelações étnicas de Angola e também na diáspora bantu. 

 

Os Ki-mbanda, Ki-mbandeiros(as) ou curandeiros(as), são sacerdotes angolanos que têm o dom de vaticinar e de curar e são conhecedores de diversas artes espirituais tradicionais de cura de doenças, sem pretensão ao exercício da medicina.

 

O Ki-mbanda através da evocação de  espíritos de sacerdotes antepassados, descobre crimes, causas espirituais ou mágicas de doenças, indica as pessoas, e aconselha o seu afastamento com receitas da mesma ordem. Nunca deixa de recorrer a farmácia da natureza  sob orientação dos espíritos evocados.

 

A terapêutica tradicional angolana (ki-mbanda), comporta duas partes distintas:  parte sobrenatural e a parte farmacológica.

Os europeus, na defesa dos seus interesses e por não compreenderem muito bem o que era a Ki-mbanda, ilegalizaram-na, afirmando que era coisa do diabo. Em 1532-1888, enviaram para a escravatura, a maioria e os melhores dos sacerdotes e sacerdotisas da ki-mbanda de Angola e Congo. Chegados ao Brasil, esses sacerdotes e sacerdotisas vendidos como escravos e os restantes escravos (kassanges, Kikongos, Kimbundu, Umbundu e Kiocos), fundaram a nação Angola, onde praticavam a Ki-mbanda. Foi nessa mesma nação, que se desenvolveu a grande e poderosa religião afro-brasileira. Podemos assim dizer, que a religião afro-brasileira tem como mãe a ki-mbanda de Angola praticada até ao século XVIII.

 Os angolanos que ficaram em Angola, continuaram a praticar a ki-mbanda secretamente e muitos desligaram-se desta arte, para não serem enviados para as cadeias,  pelas autoridades coloniais em colaboração com a igreja católica romana e determinados sobas(chefes tribais), que não passavam de “cães de guarda” dos colonizadores, mas também praticavam a ki-mbanda as escondidas. Aqui podemos compreender  as razões do  subdesenvolvimento da ki-mbanda em Angola.

Os europeus, coagiram todos os angolanos a receber o baptismo cristão e a professar a fé judaico-cristã. Os que não aceitavam o baptismo cristão, viam seus direitos cancelados.

Depois de 30 anos de independência, por falta de investigação e promoção por parte de quem cuida da cultura angolana,  a ki-mbanda foi ultrapassada pela feitiçaria. O feiticeiro lida com forças negativas que ele manipula contra suas vítimas. O feiticeiro é constante ameaça à população, porque lida com as forças do mal.

Em homenagem aos 4000 anos da cultura Bantu, está a ser preparado por várias pessoas de Angola, Portugal, Canadá, Brasil, o manual moderno da ki-mbanda, que tem como objectivo principal, desenvolver, modernizar  e enriquecer a  ki-mbanda, através de:

 

1. Divulgar alguns valores místicos angolanos produzidos em diferentes culturas de  Angola.

 

2. Modernizar alguns aspectos da ki-mbanda, para que pessoas de qualquer crença, possam beneficiar das suas vantagens.

 

3. Introduzir valores místicos produzidos em diferentes culturas de Angola.

 

4. Internacionalizar a ki-mbanda, introduzindo valores  místicos internacionais.

 

5. Formar ki-mbandas, de forma a profissionalizar esse ramo da cultura angola, com métodos novos e aceitáveis.

 

No manual moderno do ki-mbanda, poderá aprender e desvendar mistérios, resolvê-los e organizar com boa intenção, cultos e rituais angolanos.

 

Culto de Nzambi, Culto ancestral, Calundu de Família, M’bamda-arte de curar, Mpolo de Lemba, Muxacato, Nkisi, Óleo de Nzambi, Oração de Lemba, Oração de Nzinga Mbandi, Produtos  da  religiosidade  angolana, Santu de Cazola, são abordados no manual moderno do kimbanda.

 

 

Testemunho sobre a profissionalização da cultura  mística angolana na Europa

Duas lojas, Inzo ia Nzambi e Ki-mbanda, foram inauguradas por duas angolanas que vivem na Espanha. Henda (22 anos) e Welwitchia(24 anos). Pretendem homenagear e divulgar a cultura mística angolana no estrangeiro. Ambas são católicas e de famílias profundamente católicas. Por influencia do Cristianismo, viveram sempre afastadas das tradições religiosas angolanas, porque ouviam dizer, que a religião angolana é feitiçaria. Apenas depois de entrarem na faculdade em Espanha, perceberam que estavam erradas e que, esse erro reflectia-se na vida de ambas como um Sumu kua Nzambi (um pecado contra Nzambi) e tinham de repara-lo.

Henda e Welwitchia comercializam: óleo de Nzambi, velas de Nzambi, ndele ni ndua, pemba, aka, tukaleto, tuseketo, diburi, xingazamba, ucusso, maxmaxito, missangas, santu de cazola, estatuetas do pensador, muxacato angolano, máscaras, cestos de adivinhação côkwe, imagens e um livrinho com a história de da rainha Ginga, djangos em miniatura, o mapa de África com uma grande pegada em cima, simbolizando as supostas pegadas de Nzambi vistas na antiguidade em Angola e em toda a África, contos angolanos traduzidos para espanhol, oração de Lemba e até trajo de béssangana por encomenda. Preparam também, nkisis para diversos fins. Pensam no futuro organizar e introduzir na Europa, o culto dos antepassados, o pilar principal da religião angolana. €1000.00 é a renda mensal de cada loja.

Henda, ainda arranja tempo nas férias, para vaticinar para os turistas, usando o tradicional muxacato de Angola.

 

É dessas filhas e filhos, que a nossa querida Angola necessita.

Pessoas que saibam transformar e valorizar a cultura religiosa, sem complexos!

A religião genuína de Angola, não é o Cristianismo.

 

Que a cultura angolana seja glorificada e difundida pelo mundo!

 

http://kimbanda.no.sapo.pt/mbandaa.htm

ki-mbanda@sapo.pt

351 96 46 74 881